domingo, 15 de agosto de 2010

Arquivos X

Ultimamente, com a aproximação do ano 2012, está em voga o aparecimento e a discussão de teorias apocalípticas e de mudanças na ordem mundial. E aparentemente essa nova onda tem afetado inclusive o Estado brasileiro.

Avistamento de objeto voador
não identificado ao lado de helicóptero
Para surpresa geral da nação, e maior ainda dos arquivistas, o Diário Oficial da União publicou no dia 10 de agosto a PORTARIA N°- 551/GC3 de 09 de agosto de 2010 da Aeronáutica, que reconhece a existência de óvnis (objetos voadores não identificados) e encarrega o Arquivo Nacional de guardar a documentação produzida sobre o tema. 

No texto do documento [ver original] as atividades do Comando da Aeronáutica (Comaer) se restringem ao registro das ocorrências e trâmite destas ao Arquivo Nacional, e, de acordo com site de notícias G1, a Assessoria de Imprensa da Aeronáutica ressaltou em nota que a FAB "não dispõe de uma estrutura especializada para realizar investigações científicas a respeito desses fenômenos aéreos".

Documento sobre óvni 
Assim, a portaria determina que o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra), organismo do Comaer, fique responsável por receber e catalogar as notificações referentes a óvnis em  "formulários próprios", que deverão ser encaminhados regularmente ao Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica (Cendoc).


Incrivelmente o Cendoc deverá "copiar, encadernar, arquivar as cópias dos registros encaminhados pelo Comdabra" (as quais a Assessoria de Impressa da FAB afirma que "terão acesso liberado para a população"e recolher os originais ao Arquivo Nacional de forma periódica. É interessante observar ainda que as ocorrências, segundo a portaria, serão aquelas relatadas "por usuários dos serviços de controle de tráfego aéreo" o que, sem maiores detalhes sobre quem seriam esses usuários, deixa dúvidas sobre a possibilidade de que qualquer pessoa possa relatar um avistamento de óvni e ter sua história guardada para sempre no Arquivo Nacional.


Em termos arquivísticos, essa portaria traz diversos problemas à gestão da informação pois não define critérios específicos para a aquisição, distribuição e utilização desses documentos. Além disso, determina práticas controversas para a arquivística, como o arquivamento de cópias, e ainda interfere nas finalidades do Arquivo Nacional ao decidir que ele guarde toda essa documentação sem um objetivo definido. Não será surpresa caso esses registros se transformem numa grande massa documental acumulada.

O Arquivo Nacional não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ética para o Arquivista?

Hoje a Coordenação de Arquivo do CEDOC/UnB promoveu a discussão sobre o "Código de Ética do Arquivista" proposto pelo ICA - International Council on Archives e diversas questões foram levantadas acerca da ética dentro do mundo profissional arquivísitico.

Um dos pontos principais do debate foi os limites de aplicabilidade do Código, tendo em vista que ele não condiz em várias partes com a realidade organizacional vivida pelos arquivistas no Brasil. Podemos exemplicar já com o seu 1º artigo: "Os Arquivistas mantêm a integridade dos arquivos, garantindo assim que possam se constituir em testemunho permantente e digno de fé do passado." Percebemos nesse artigo uma falha na compreensão sistêmica do arquivo, pois apresenta a ideia de que arquivos seriam apenas uma representação do passado (arquivo permanente), esquecendo-se das outras competências atribuídas à arquivística, como a gestão informacional, relacionada aos arquivos corrente e intermediário.


Outro ponto discutido foi a real necessidade da existência desse código para o amparo dos profissionais perante complexas questões éticas, como por exemplo, o que deveria ser feito em casos de descoberta de corrupção em uma instituição pública: poderia o arquivista divulgar os documentos que compravam a ilegalidade, ferindo assim a sigilosidade dos documentos? Um código de ética se prestaria a responder tais perguntas.

Diante disso, um código de ética se faz importante para a nossa área, desde que contemple os dispositivos adequados. Concluímos ainda que o Código do ICA não satisfaz as necessidades da arquivística no Brasil, mas que apesar das limitações, ele consegue expor alguns assuntos relevantes para a correta postura profissional do arquivista, o que futuramente pode embasar estudos técnicos para o desenvolvimento de um código de ética aplicável de fato à realidade do país.

Participantes: Tânia Pereira, Henrique Distretti, Julianna Sousa, Pedro Carvalho, Camila Ventura, Érika Leite, Luiz Fernando Alves, Leonardo Lima, Caroline Durce, André Luiz, Ana Carolina Gomes e Rafael Carvalho.
Autores: Julianna Sousa e Pedro Carvalho

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Discussão sobre o filme "Brazil"

A apresentação do filme “Brazil” nos levou a refletir uma série de questões relacionadas à sociedade e a informação.

Em um primeiro momento o filme nos mostra uma sociedade baseada no que seria o extremo da burocracia. Vale ressaltar que, a burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, impessoalidade e na adequação dos meios aos objetivos pretendidos, e para que esses sejam alcançados com a máxima eficiência possível.
Estamos tão acostumados a associar a burocracia com algo ruim que muitas vezes não nos damos conta de que é necessária. Seriam impraticáveis as rotinas e procedimentos que atendessem as demandas e necessidades da sociedade moderna, baseados tão somente na Teoria Clássica da Administração.

O que é mostrado no filme é justamente esse aspecto negativo e distorcido da burocracia, ou seja, a disfunção burocrática, enfatizando o: apego demasiado as normas, excesso de formalismo e papelada, resistência a mudanças, impessoalidade nos relacionamentos, superconformidade às rotinas e procedimentos, exibição de sinais de autoridade e corrupção, dificuldades em atender aos cidadãos e conflitos com o usuário da informação, em suma, tudo aquilo que é indesejável para a burocracia.

A alienação da sociedade também é apontada no filme. A valorização da beleza e aparência, como se fosse uma forma de “mascarar” a própria sociedade. Atos terroristas, desinformação, seqüestros (chamados de interrogatórios), estratificação social, acusações infundadas, enfim, a sociedade é embasada em aspectos meramente superficiais, as poucas pessoas que se revoltam com o sistema são perseguidas e “interrogadas” (mortas).

Pode-se notar também, com o auto-conformismo do próprio sistema. O sistema burocrático institucionalizado não erra – o erro não é admitido, e quando ocorre, não é encontrado o culpado. O sistema é extremamente departamentalizado onde os mesmos não se comunicam, não interfere no outro, ou seja, não há visão sistêmica.

Alguns componentes do grupo viram similaridades do sistema burocratizado apresentado no filme com a forma de funcionamento da Administração Pública brasileira, levantando a possibilidade do título do filme ter sido inspirado no próprio país. Porém, embora todos concordem com as características similares acredita-se que o título se dá devido ao tema musical “Aquarela do Brasil” e as viagens oníricas do protagonista.
Participantes: Ana Carolina Gomes, Ananda Moretti, André Araujo, Artur Litran, Bruno Costa, Bruno Duarte, Camila Ventura, Caroline Durce, Érika Leite, Henrrique Distretti, Ingrid Cordovil, Juliana Santos, Laiane Borges, Luís Sallenave, Luiz Fernando Alves, Paulo Nascimento, Pedro Carvalho,Rafael Carvalho, Rogério Hamada, Sidney Costa, Tânia Moura.
Autores: Camila Ventura e Érika Leite.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ética Profissional do Arquivista

A Coordenação de Arquivo do CEDOC/UnB convida a todos para a próxima reunião do grupo, na sala de reunião do CEDOC, sexta-feira, às 14:30.


Nesta sexta falaremos sobre ética no exercício da profissão. Usaremos o Código de Ética do Arquivista do ICA (International Council on Archives) como subsídio para as discussões.

Segue o link para download do texto do ICA :

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Segurança da Informação


Um erro operacional resultou no vazamento de informações pessoais de 12 milhões de inscritos nas três últimas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dados como nome, RG, CPF, data de nascimento e nome da mãe de cada candidato foram disponibilizados no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) até o final da tarde desta terça-feira.

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, as informações eram de uso interno do Inep e não deveriam estar disponíveis em links abertos. A divulgação do conteúdo, que já foi indisponibilizado pelo Ministério da Educação, contraria o edital do Enem.

Em nota, o Inep diz que "tão logo informado que o endereço em área reservada havia se tornado público, o fechou o endereço específico". O órgao explicou ainda que os dados dos inscritos eram colocados numa área reservada do site, e liberados apenas para às instituições de ensino Superior que os solicitassem. A direção do Inep irá apurar as causas do ocorrido.
Com informações do Zero Hora

Correio Braziliense
Publicação: 04/08/2010 09:19 Atualização: 04/08/2010 09:38

MORAL DA HISTÓRIA:
“Se você acredita que a tecnologia pode resolver seus problemas de segurança, então você não conhece os problemas e nem a tecnologia”. Bruce Schneier-Criptógrafo, moderador do Crypto-Gram Newlester